[ Miriam Abramovay ]
Para jovens de favelas com UPP, a pobreza é o maior inimigo
O problema foi citado por 24% dos entrevistados e ficou na frente, inclusive, do desemprego (10%), do tráfico de drogas (10%) e da violência (8%).
RIO - Em tempos em que o poder público e a população comemoram a retomada de territórios controlados há décadas pelo tráfico, uma pesquisa encomendada pela Secretaria estadual de Assistência Social e Direitos Humanos mostra que o maior inimigo dos moradores de favelas pacificadas está longe de ser vencido. Na opinião de 700 jovens residentes em sete comunidades que receberam Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), a pobreza ainda representa o maior obstáculo em suas rotinas. O problema foi citado por 24% dos entrevistados e ficou na frente, inclusive, do desemprego (10%), do tráfico de drogas (10%) e da violência (8%). O estudo foi coordenado pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), em parceria com a Uerj.
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Última atualização ( Qua, 23 de Novembro de 2011 08:59 )
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RITLA lança nova pesquisa sobre a atuação feminina nas gangues do DF Ritla
Este estudo, inédito no Brasil e na América Latina, revela o perfil dos personagens atuantes no mundo das gangues e as mudanças que esses grupos sofreram na ultima década, desmistificando conceitos pré-estabelecidos pela sociedade. Segundo a coordenadora de pesquisa da RITLA, Miriam Abramovay, há 10 anos, quando fez uma pesquisa sobre esta temática, as meninas exerciam um papel acessório dentro da gangue. Elas geralmente acompanhavam os integrantes das gangues, não atuavam. Nesta nova pesquisa, percebeu-se que assim como na sociedade, as mulheres vêm conquistando espaço, por meio de uma participação mais ativa em busca de respeito e, principalmente, visibilidade. Apesar disso, as mulheres ainda não alcançaram o mesmo patamar dos homens dentro destes grupos, mas podem, por exemplo, pichar e liderar outras meninas dentro da gangue.
A pichação também aparece dentro de um novo contexto. A questão da territorialidade não é mais fator determinante, afinal o território se expandiu para o espaço virtual, onde é possível promover, até mesmo, guerras entre gangues. Desta forma, a pichação aparece com o objetivo de ser visto por um Estado, omisso, que não enxerga esses jovens. “É como se eles dissessem ‘essa cidade também é minha’” ressaltou, Abramovay. Além disso, o reconhecimento, aliado ao risco e à adrenalina, é valorizado entre os jovens. "Eles picham o nome de guerra e o nome da gangue. A questão é ter fama entre eles, é conseguir pichar no lugar mais alto, sair na televisão, e ser contra as regras", enfatizou. Para a socióloga, é preciso uma atuação que evite a criminalização das gangues. A sociedade tem dificuldade em lidar com essa juventude. O estado não desenvolve políticas preventivas. Faltam projetos de inclusão social e espaços de convivência, o que segrega ainda mais a sociedade e dificulta aproximar-se destes jovens. O livro é resultado de dois anos de acompanhamento das 13 gangues mais influentes no Distrito Federal, contabilizando mais de 70 pessoas entrevistadas e 150 horas de entrevistas gravadas. Escrita por Carolina Scrivano Leão, essa resenha crítica faz uma análise do livro Caleidoscópio das violências nas escolas, escrito por Miriam Abramovay e Mary de Castro.
Um melhor reconhecimento do perfil e das percepções dos jovens ativistas cotemporâneos foi o desafio a que se lançou com êxito o projeto de pesquisa, agora convertido em livro “Quebrando Mitos: Juventude, Participação e Políticas”. Jovens e não-jovens, moradores de capitais e de cidades do interior de todas as regiões brasileiras, indígenas, quilombolas, ciganos, participantes de terreiros e tantos outros ativistas tiveram a oportunidade de, nesse trabalho, fornecer instigantes depoimentos. Ao todo, foram entrevistados 1873 participantes da 1º Conferência Nacional de Políticas Públicas de Juventude, realizada em Brasília entre os dias 27 e 30 de abril de 2008. Também testemunharam, na pesquisa qualitativa, adolescentes e jovens de diferentes grupos de identidade, como estudantes, participantes de partidos políticos, trabalhadores rurais e urbanos, negros e negras e alunos do ProJovem, entre outros. Confira o livro na íntegra. Miriam Abramovay fala que universidade fez julgamento moral e perdeu chance de discutir o que motivou violência contra Geisy Entrevista de Miriam Abramovay para a Terra TV, 9 de novembro de 2009 "Uniban divide alunas entre santas e prostitutas", diz socióloga Veja o video da entrevista. |



