Miriam em Pauta
Meninas valentes do Distrito Federal
Comunidade segura
19/07/2010 por Mariana Pires A tendência é mundial. No Brasil, como no mundo, as meninas estão cada vez mais presentes em gangues e de forma mais ousada, enfática e participativa. Em paralelo a um processo crescente de vitimização e vulnerabilidade dos jovens, a multiplicação destas redes sociais já acontece em todo o país. Ironicamente, o Distrito Federal – sede do governo brasileiro e onde são traçadas as diretrizes fundamentais para promoção dos direitos dos adolescentes – é a região na qual a questão social das gangues se delineia de forma mais dramática, apresentando o retrato mais característico de uma juventude brasileira que vive no limiar entre o legal e o ilegal. A socióloga Miriam Abramovay (foto), coordenadora de pesquisa da Rede de Informação Tecnológica Latino-americana (Ritla), acompanha o incremento da participação feminina nas gangues há mais de 10 anos – época em que publicou, pela Unesco, um livro-pesquisa sobre a relação entre a juventude e a violência brasilienses. "Desde aquele momento, percebi que as poucas meninas que já integravam estas redes desempenhavam papéis muito subordinados: essencialmente, elas ajudavam os namorados 'gangueiros'. Chamou minha atenção também não encontrar por aqui gangues exclusivamente femininas, como as que existem nos Estados Unidos, por exemplo", explica Miriam. Essa curiosidade a fez mobilizar esforços para uma nova pesquisa, agora com foco nas relações e representações de gênero nas gangues do Distrito Federal, que durou três anos. O resultado está nas 314 páginas do livro “Gangues, gênero e juventudes: donas de rocha e sujeitos cabulosos", lançado em junho e que representa um passo inédito no estudo da questão de gênero dos grupos de jovens brasileiros. A pesquisa obteve diversas conclusões no que diz respeito à questão das relações de gênero dentro das gangues de Brasília. Questões como gravidez não planejada, abortos, sofrimento por amores rompidos, disputa entre mulheres por homens – comumente líderes nas gangues -, namoros, traições e as experiências de “ficar” e “pegar” permearam as entrevistas. ganguesDF_dentro3.jpgOs meninos de gangues reproduzem padrões tradicionais de comportamento machista: apelidam as meninas com nomes depreciativos e separam as que acham que podem namorar, “ficar” ou ter algum tipo de aventura. Eles ainda tendem a qualificá-las como fracas, falsas e não confiáveis. Mas, de acordo com o estudo, há aquelas que são respeitadas, consideradas brothers, companheiras de aventura e protegidas nas festas e brigas. As que merecem este tratamento, parece ser muito mais por demonstrarem valentia e lealdade à gangue e serem “boas de briga”, do que por terem algum tipo de relação de afeto ou sexual com outros gangueiros. Muito poucas são consideradas "donas de rocha", gíria dos gangueiros para definir as mulheres valentes, enquanto muitos meninos podem ser "sujeitos cabulosos". As meninas não necessariamente passam a idéia estereotipada de fragilidade ou submissão. “Em relação às questões de gênero, muita coisa mudou e muita coisa ainda é igual: se antes as meninas eram apenas namoradas e ajudavam, hoje as gangues possuem alas e setores femininos e as mulheres têm funções mais definidas. Elas não desempenham somente um papel acessório. Mas ainda há gangues exclusivas de meninos, que tratam as jovens de maneira pejorativa”, afirma Miriam. Segundo a pesquisa, o poder feminino nas gangues é comumente exercido sobre outras meninas ou novatas. Nas entrevistas e grupos focais, os pesquisadores puderam notar que as meninas falam mais entre elas, se contam vantagens, mas na presença dos homens elas se calam e são eles que detêm o privilégio da palavra. Além disso, o grupo de estudiosos observou que nem todas as meninas rompem com a divisão sexual do trabalho e muitas permanecem desempenhando papéis bem subordinados – despistar a polícia, servir de isca e carregar a lata de spray. Mas há também aquelas que não aceitam passivamente esta restrição e picham, brigam, enfrentam a polícia e as gangues rivais. Mergulho profundo Para entender o papel das meninas nas gangues candangas, a equipe de pesquisa mergulhou no universo das gangues de Brasília. A pesquisa mapeou o cotidiano dos 13 principais grupos de pichadores que atuam na capital federal – tanto no Plano Piloto quanto nas periferias -, traçando um perfil dos jovens que as integram por meio da imersão na pesquisa de campo, com acompanhamento contínuo e entrevistas com 73 membros. "Selecionamos gangues essencialmente de pichação. Individualmente, eles podem até vender droga, mas a atividade não pode ser caracterizada como tráfico", explica Miriam. ganguesDF_dentro1.jpgSegundo a pesquisadora, o que estes jovens querem, de fato, é ocupar os espaços da cidade. Basicamente, muros (como na foto ao lado). E eles fazem isso através da pichação. A coordenadora do estudo explica que os membros de gangues têm muita dificuldade em se relacionar com a cidade e seus espaços, e por isso querem marcá-la publicamente com suas assinaturas. No prefácio do livro, o antropólogo Luiz Eduardo Soares define as gangues como "redes sociais de jovens que empregam suas energias em intervenções transgressoras no espaço urbano, mobilizando a violência como forma de linguagem ordinária". "Seu sentimento em relação à sociedade é de raiva e revolta. Se consideram injustiçados e sem espaço. Falam muito mal da polícia e dos políticos", afirma Miriam. A origem destes jovens é distinta. Se há 10 anos, em seu primeiro estudo, a socióloga detectou gangues distintas no Plano Piloto e na periferia de Brasília, hoje, segundo ela, o cenário é mais homogêneo. "Tudo está misturado, classe média com classe baixa. As gangues não têm mais localidades geográficas específicas, elas atuam e podem estar em vários lugares". O estudo concluiu que a idade média dos gangueiros oscila entre 16 e 17 anos, embora haja exceções. Seu cotidiano varia, mas grande parte deles está na escola, trabalha e alguns até cursam faculdade. Eles contaram aos pesquisadores que costumam começar a pichar na escola - já que não se interessam em aprender o conteúdo que é ali ensinado, os ensinos Fundamental e Médio servem para o aprendizado e aprimoramento do grafite e para o treino sua assinatura, sua identidade dentro da gangue. ganguesDF_dentro5.jpg"A gangue é parte de uma vida dupla que eles tocam. Estar ali, pertencer a ela e pichar em lugares ousados e arriscados é a adrenalina que move a participação destes jovens. Muitos integrantes vão envelhecendo e não conseguem largar o grupo. A pichação é praticamente um vício", revela Miriam, a partir do contato que travou com as gangues. Ela conta que ficou surpresa quando soube que muitos dos gangueiros entrevistados conheciam seu livro sobre o tema e que faziam questão de participar da pesquisa. O grupo de pesquisadores aproveitou esta empolgação e levou muitos jovens de volta às escolas, já que estipulou a frequênica às aulas como pré-requisito para participar dos grupos focais. "Os adolescentes foram muito cooperativos com nossa equipe. Foi uma relação de troca, pois eles recorriam e contavam conosco em diversos momentos de necessidade - situações como detenção, gravidez e parto, etc. São jovens completamente desprotegidos, não têm apoio algum do Estado e nem mesmo de suas famílias, fragilizadas, impotentes e incapazes de interferir na atuação dos filhos nas gangues", detalha Miriam. O livro é fruto de parceria entre a Ritla, a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República e também a Central Única de Favelas (Cufa-DF). Max Nunes, coordenador geral da Cufa-DF e co-autor do livro, explica que a Central serviu como ponte de aproximação entre o grupo de pesquisa e as gangues. Ele diz ter tido uma trajetória de vida muito parecida com as dos gangueiros e gangueiras brasilienses: busca pela auto-afirmação, reconhecimento, poder e prestígio. Mesmos problemas e anseios, porém rumos distintos. "As Cufas são comunidades que convivem com várias práticas urbanas, inclusive as gangues. Por isso, servimos como ponte de aproximação e, é claro, como uma interface de confiança, com linguagem bem próxima destes jovens. A Cufa vivencia com proximidade a realidade deles, mas ajudar a promover esta pesquisa é, para nós, uma maneira de saber, de fato, quem realmente são estes jovens, tantas vezes taxados como delinquentes e marginais, e como se articulam e se organizam. Sabemos com clareza, hoje, que eles não são delinquentes – apesar de alguns cometerem delitos –, mas sim jovens de potencial desperdiçado pela ausência de uma rede de controle social”, defende Max. ganguesDF_dentro4.jpgA epígrafe do livro traz uma música da funkeira Tati Quebra Barraco, cuja letra exalta a valentia da mulher. O grupo de co-autores chegou a considerar a hipótese de convidar os gangueiros, tão importantes para a pesquisa, para seu lançamento, mas logo abandonou a ideia. "Ficamos com medo de reuni-los num só local pois eles pertencem a gangues rivais. E o sentimento de vingança e rixa é muito grande", conta Miriam Abramovay. A realidade observada minuciosamente no livro é bem peculiar aos jovens do DF. Ainda em seu prefácio à publicação, Luiz Eduardo Soares a define como uma "cartografia hermenêutica de um drama social específico", ressaltando o quanto a cidade de Brasília já é caracterizada pela presença das gangues. Arquitetura estimula formação de gangues Para Miriam, a arquitetura da cidade - planejada por Oscar Niemeyer e internacionalmente conhecida - estimulou a formação de gangues. "A arquitetura de Brasília é das mais pérfidas que existe. Ela não possibilita nenhum tipo de mistura social. A questão das rixas entre grupos de quadras diferentes já existe há muito tempo, data quase da construção da cidade", polemiza Miriam. O estudo, portanto, não se pretende um instrumento de orientação para análise de padrões flagrados fora da órbita de Brasília e das cidades-satélite do DF. A disputa de poder entre as gangues acontece a todo momento. Tem mais prestígio quem picha no lugar mais alto ou de mais difícil acesso. Pichar em cima do nome de outro gangueiro ou gangue rival é a falta mais grave no ambiente da "gangueiragem" e pode até ocasionar morte. A ocupação do espaço público e comum ultrapassou as fronteiras do mundo virtual e invadiu o Orkut. Trata-se da rede social online preferida dos gangueiros e gangueiras, que também foi objeto de análise da pesquisa. ganguesDF_dentro6.jpg"É muito interessante a comunicação que estes gangueiros do Distrito Federal estabeleceram pelo Orkut. Nesta rede social, eles marcam encontros, brigas, se xingam. Usam a rede principalmente para se exibirem. Postam fotos como se estivessem cheirando cocaína e portando armas, tudo o que a sociedade do espetáculo exige. Ali eles não têm medo da exposição e não demonstram nenhuma preocupação em se disfarçar". Para Miriam Abramovay, as gangues de Brasília são bem diferentes das maras e pandillas, gangues características de países da América Central, como El Salvador, Nicarágua, Honduras e Guatemala. A pesquisadora estabelece como principal diferença a fluidez das gangues candangas. “As maras são altamente hierarquizadas e organizadas, formadas por meninos e meninas que, muitas vezes, já vieram organizados dos Estados Unidos, e isso representa sua estratégia de sobrevivência frente à atuação da polícia, explica. O sentimento de pertencimento e compromisso é tão grande por lá que os gangueiros chegam a partilhar o que roubam uns com os outros. Segundo a socióloga, a lógica das gangues daqui é outra: elas são mais fluidas, os jovens têm outras atividades em seu dia – no caso de muitos, escola ou trabalho. "As maras são muito mais profissionalizadas e violentas. Aqui também há roubo e às vezes morte. Mas lá tudo é mais acentuado e a facilidade no acesso às armas é maior. O medo da sociedade em relação às gangues lá também é muito maior do que o que é sentido aqui”, diz Abramovay. Ela crê que a opinião generalizada sobre a juventude é negativa. Em relação às gangues, sobre as quais a sociedade mal sabe quem é quem, a lógica e dinâmica que regem estes grupos, a opinião, logo, é pior ainda. "A sociedade tem medo do jovem, em geral. Nós mesmos acabamos criminalizando nossa juventude. Brasília tem que ser mais inclusiva. As secretarias de Educação, Saúde e Segurança Pública precisam se unir para propor políticas de inclusão para estes adolescentes", propõe. Para ter acesso à íntegra da pesquisa, clique aqui. |
Homofobia: o preconceito nas escolas
Foco Regional
16/07/2010 Pesquisa revela que 87% da comunidade escolar tem preconceito contra os homossexuais Nas escolas públicas brasileiras, 87% da comunidade – sejam alunos, pais, professores ou servidores – têm algum grau de preconceito contra homossexuais. O dado faz parte de pesquisa divulgada recentemente pela Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP) e revela um problema que estudantes e educadores homossexuais, bissexuais e travestis enfrentam diariamente nas escolas: a homofobia. A Agência Brasil produziu uma interessante abordagem sobre o tema, que o FOCO REGIONAL reproduz nesta e na próxima edição. O levantamento da FEA-USP foi realizado com base em entrevistas feitas com 18,5 mil alunos, pais, professores, diretores e funcionários, de 501 unidades de ensino de todo o país. "A violência relacionada a armas, gangues e brigas, é visível. Já o preconceito a escola tem muita dificuldade de perceber porque não existe diálogo. Isso é empurrado para debaixo do tapete e impera a lei é a do silêncio", destaca a socióloga e especialista em educação e violência, Miriam Abramovay. Um estudo coordenado por ela e divulgado este ano indica que nas escolas públicas do Distrito Federal 44% dos estudantes do sexo masculino afirmaram que não gostariam de estudar com homossexuais. Entre as meninas, o índice é de 14%. A socióloga acredita que isso não ocorre apenas no DF, mas em todo o país. "Significa que existe uma forma única de se enxergar a sexualidade e ela é heterossexual. Um outro tipo de comportamento não é admitido na sociedade e consequentemente não é aceito no ambiente escolar. Mas a escola deveria ser um lugar de diversidade, deveria combater em vez de aceitar e reproduzir", defende. A coordenadora geral de Direitos Humanos do Ministério da Educação (MEC), Rosiléa Wille, também avalia que a escola não sabe lidar com as diferenças: "Você tem que estar dentro de um padrão de normalidade e, quando o aluno foge disso, não é bem compreendido naquele espaço." Desde 2005 o MEC vem implementando ações contra esse tipo de preconceito, com o programa Brasil sem Homofobia. As principais estratégias são produzir material didático específico e formar professores para trabalhar com o tema. "Muitos profissionais de educação ainda acham que a homossexualidade é uma doença que precisa ser tratada e encaminham o aluno para um psicólogo. Temos pressionado os governos, nas esferas federal, estadual e municipal, para que criem ações de combate ao preconceito", explica o presidente da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), Toni Reis. As piadas preconceituosas, os cochichos nos corredores, as exclusões de atividades escolares e até mesmo agressões físicas contra alunos homossexuais têm impacto direto na autoestima e no rendimento escolar desses jovens. Em casos extremos, eles preferem interromper os estudos. "Esse aluno desenvolve ódio pela escola. Para quem sofre violência, independentemente do tipo, aquele espaço vira um inferno. Imagina ir todo dia a um lugar onde você vai ser violentado, xingado", alerta o educador Beto de Jesus, representante na América Latina da Associação Internacional de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Trans e Intersexo (ILGA). Especialistas acreditam que, para combater a homofobia na escola é preciso encarar o desafio em parceria com o poder público. "Todos os municípios e estados precisam destampar a panela de pressão, fazer um diagnóstico para poder elaborar políticas públicas", recomenda Miriam Abramovay. Para Rosiléa Wille, o enfrentamento do preconceito não depende apenas da escola, mas deve ser um esforço de toda a sociedade. "A gente está tendo a coragem de se olhar e ver onde estão as nossas fragilidades, perceber que a forma como se tem agido na escola reforça a rejeição ao outro. Temos uma responsabilidade e um compromisso porque estamos formando nossas crianças e adolescentes. Mas o Legislativo, o Judiciário, a mídia, todas as instâncias da sociedade deveriam se olhar também." Escola sem alegria dá espaço para violência, diz socióloga
Terra
Quinta-feira, 17 de junho de 2010 Miriam Abramovay analisa caso do menino amordaçado no DF e fala das saídas para pacificar vida escolar e atrair os alunos Confira na íntegra a entrevista. Cresce o número de mulheres em gangues do DF
Jornal de Brasília
Terça-feira, 15 de junho de 2010 por Carlos Carone Cada vez mais ousadas, as jovens do Distrito Federal passaram a desempenhar papéis importantes nas gangues em que atuam, cometendo crimes que vão desde a pichação até os homicídios. Em um estudo inédito, pesquisadores mapearam a participação destas meninas, muitas delas ainda na adolescência, entrevistando 73 membros de 13 gangues escolhidas por sua influência nas comunidades. O levantamento, que consumiu mais de 150 horas de entrevistas, feito entre os anos de 2007 e 2010, revelou que as mulheres podem, igualmente, ter atitudes consideradas pelos colegas de grupo como de coragem e lealdade, embora exista certa resistência e mesmo desconfiança em relação à capacidade feminina de exercer essas funções dentro das gangues. Coordenado pela pesquisadora da Rede de Informação Tecnológica Latino-Americana (Ritla), Mírian Abramovay, o estudo apontou que, apesar de terem uma presença mais efetiva, algumas mulheres ainda são depreciadas nos grupos, desempenhando funções que, na gíria das ruas, ganham diversas nomenclaturas. Entre elas estão as chamadas "fazedoras de casinha", que atraem membros das gangues rivais por meio da sedução, facilitando uma emboscada. Garotas entram para gangues
Tribuna do Brasil/DF
Segunda-feira, 14 de junho de 2010 Livro aponta a mudança no perfil dos grupos, por meio de pesquisa As gangues do Distrito Federal, que existem há mais de duas décadas, passaram a ter maior participação de meninas. A mudança de perfil é um dos resultados apontados no livro Gangues, Gênero e Juventude: Donas de Rocha e Sujeitos Cabulosos, baseado numa pesquisa feita durante dois anos com 13 gangues de jovens moradores do Plano Piloto e da periferia de Brasília. O livro - que será lançado hoje pela Rede de Informação Tecnológica Latino-Americana (Ritla), pela Central Única das Favelas (Cufa) e pela Secretaria de Direitos Humanos - mostra que as gangues chegam a ter 800 pessoas e, agora, são formadas também pela "ala F". "Há 10 anos fiz uma pesquisa e as meninas tinham um papel subordinado. Hoje é como na sociedade: elas não têm o mesmo papel que os meninos, mas dentro da gangue podem liderar as meninas", explica a socióloga Miriam Abramovay, coordenadora de pesquisa da Ritla. Segundo a pesquisadora, mesmo sendo aceitas nas gangues as meninas sofrem alguma desconfiança. "As relações de gênero estão calcadas pelo negativo e pela negação de que as meninas podem ter os mesmos papéis dos meninos, porque efetivamente elas não têm", analisa. |
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